Extensão universitária transmite conceitos de ciência e transição energética
No dia 23 de junho de 2026, o campus Zeferino Vaz, na Unicamp, transformou-se em um grande laboratório a céu aberto para receber a VIII Jornada Olhos no Futuro. Promovido pelo Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn) em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (PROEEC) da Unicamp. O evento reuniu cerca de 250 participantes, incluindo estudantes e professores da Escola Estadual Dr. Telêmaco Paioli Melges e do Centro Promocional Tia Ileide (CPTI), além de docentes e monitores da própria universidade.

Com o objetivo central de formar agentes de transformação, a Jornada ofereceu um circuito dinâmico com 16 oficinas simultâneas distribuídas por seis institutos da Unicamp durante o período da manhã. As atividades práticas conectaram os estudantes da rede pública a temas essenciais como energias renováveis, sustentabilidade e tecnologia.
Tecnologia e Energias Renováveis na FEEC
Nos corredores da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), um dos grandes destaques foi o experimento com uma maquete de casa inteligente. A atividade propôs trilhas educacionais aliadas a energias renováveis, permitindo que os jovens visualizassem em miniatura soluções sustentáveis que poderiam ser aplicadas em suas próprias escolas.

Utilizando experimentos com energia fotovoltaica, eólica e pilhas, a oficina fez uso da BitDogLab, uma placa de sistemas embarcados de baixo custo programável com inteligência artificial. Com ela, os estudantes puderam medir a tensão, a corrente e a eficiência de um sistema energético. Um segundo experimento focado em pilhas também movimentou o corredor da faculdade. A atividade permitiu que os alunos acompanhassem de perto o processo de produção de baterias, tecnologias essenciais para o futuro da energia e da mobilidade elétrica.
Mão na Massa no IQ
No Instituto de Química (IQ), os alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental participaram de experimentos envolvendo biodiesel e petróleo. Os jovens operaram funis de separação para isolar o biodiesel e o glicerol e se divertiram com um jogo da memória temático com instrumentos e materiais de laboratório.
Os estudantes também passaram por um teste de conhecimento sobre materiais sustentáveis e surpreenderam positivamente os monitores da Unicamp ao acertarem quase todas as perguntas. O entusiasmo era evidente: alunas da E.E. Dr. Telêmaco Paioli Melges destacaram que a edição deste ano foi ainda mais legal do que a do ano anterior.
Para os professores da escola, Alexandre Palaçon e Anderson Peppi, a Jornada cumpre um papel social fundamental ao desmistificar o papel da universidade pública. “Para a maioria de Campinas, a Unicamp é o hospital. Aqui, eles conhecem outra realidade, e ficam ansiosos por isso, porque é feita uma apresentação na escola e eles vêem as fotos das edições anteriores”, afirmaram.

A Jornada inspira o ingresso na universidade
Também no IQ, os alunos do ensino médio do CPTI visitaram laboratórios de pesquisa. O grupo realizou experimentos de biocombustíveis e simulação computacional, além de vivenciar um pouco da rotina acadêmica. Um dos momentos marcantes foi o experimento com leveduras, uma atividade simples e visual, em que os alunos adicionam água, fermento biológico e açúcar em uma garrafa e colocam uma bexiga na abertura. Em menos de uma hora, as bexigas se encheram em decorrência da liberação de gás carbônico do processo de fermentação. Após o experimento, as leveduras também puderam ser observadas através de microscópios.
O impacto da imersão científica despertou vocações. Murilo Santana Oliveira, aluno do 1º ano do ensino médio do CPTI, compartilhou sua animação ao entrar em um laboratório pela primeira vez e revelou o desejo de estudar na Unicamp. Encantado com a estrutura, o jovem elogiou o fato de várias ruas do campus levarem nomes de cientistas famosos, como Albert Einstein e Nikola Tesla. “Eu gosto da área de ciência, mas também tenho interesse em filosofia, porque gosto de pensar bastante”, brincou o estudante. Outro aluno do grupo também garantiu que usará a nota do Enem para buscar uma vaga na instituição.

Encerramento
Após uma manhã intensa de aprendizado, os participantes almoçaram juntos no Restaurante Universitário (RU) e realizaram um tour guiado pelas instalações do Ciclo Básico e arredores.
O encerramento aconteceu no Teatro de Arena, contando com falas institucionais da equipe gestora, composta pelos professores Danúsia Arantes Ferreira, Roberta Ceriani e Luiz Carlos Pereira da Silva, além de uma apresentação cultural especial da Fanfarra da E.E. Dr. Telêmaco Paioli Melges, consolidando o evento como um marco de integração entre a extensão universitária e a comunidade escolar.
Reportagem e fotos: Julia Devito (bolsista de Jornalismo Científico CPTEn/Fapesp)



