Skip links

Projeto Sollar Rio Negro vence Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social

Iniciativa desenvolvida na Amazônia receberá investimento de mais de R$ 1 milhão

Desenvolvido por acadêmicos indígenas da Unicamp ligados ao o CPTEn, ao Escritório Campus Sustentável, em parceria com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), o projeto do Centro de Aprendizagem Indígena do Rio Negro – Sollar Rio Negro foi um dos grandes vencedores do 13º Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, que destina até R$6 milhões para a reaplicação de tecnologias sociais em diferentes territórios do Brasil.

Equipe do Sollar Rio Negro no evento de premiação, realizado em Brasília

 

A premiação foi realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília (DF), como parte do Festival de Soluções Sociais para o Brasil. Promovido pela Fundação Banco do Brasil entre 27 e 29 de maio de 2026. O festival reuniu exposições, oficinas, palestras e outras atrações dedicadas a temas como direitos humanos, vulnerabilidade social e povos originários.

O Sollar Rio Negro se destacou por viabilizar a capacitação sobre transição energética e a implementação de sistemas fotovoltaicos em São Gabriel da Cachoeira, considerado o “mais indígena” dos municípios brasileiros. Conhecido como “Cabeça do Cachorro”, o município possui a maior porcentagem de população indígena do país, com uma população de aproximadamente 1 milhão de pessoas, no entanto, com acesso limitado à energia. O território é historicamente dependente de geradores a diesel, que além de caros e poluentes, fornecem energia em apenas parte do dia ou dias específicos.

O Sollar Rio Negro se destacou por viabilizar a capacitação sobre transição energética e a implementação de sistemas fotovoltaicos em São Gabriel da Cachoeira

 

O projeto foi desenvolvido a partir da pesquisa de iniciação científica de Arlindo Baré, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), um dos ingressantes do primeiro vestibular indígena da Unicamp. Movido pelas necessidades expressas pela juventude indígena do Alto Rio Negro, e inserido no eixo 5 do CPTEn – Educação, formação e capacitação para a sustentabilidade socioambiental –, o trabalho se estruturou como um canal de retorno social, devolvendo à comunidade os saberes desenvolvidos no espaço universitário.

Em outubro de 2025, representantes do CPTEn e do Campus Sustentável viajaram à região para a cerimônia de formação da primeira turma do Centro de Aprendizagem Indígena, que capacitou 40 indígenas de comunidades atendidas pelo Sollar Rio Negro. Participaram da visita a coordenadora do eixo 5, Danúsia Arantes, e o diretor do CPTEn, Luiz Carlos Pereira da Silva.

A premiação da Fundação Banco do Brasil traz reconhecimento para uma iniciativa que nasce de uma comunidade tradicional e se fortalece na universidade. Ao empoderar as comunidades com capacitação e energia limpa, a Unicamp e a juventude indígena impulsionam a região do Alto Rio Negro para o fim da dependência histórica do diesel, e demonstram que a transição energética no país já é uma realidade em expansão.

Leia mais:
Projeto na Amazônia une ciência moderna e saberes tradicionais
Fala, Pesquisador: Transição Energética, Conhecimento Ancestral e Justiça

Reportagem: Julia Devito (bolsista de Jornalismo Científico CPTEn/Fapesp)